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Setor de tecnologia de Santa Catarina cresce mesmo com a crise econômica

O setor de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) catarinense surfou com os anos de crescimento da economia do país e agora, em 2015, quando a economia está passando por um período de recessão, a expectativa é que ele cresça ainda mais. A geração de empregos acompanha essa tendência.

Um levantamento feito pelo programa Geração TEC estima a abertura de pelo menos 1.535 vagas até o final do ano em Santa Catarina, com Florianópolis e Joinville no topo da lista – e isso levando em conta apenas 190 das 1.800 empresas do Estado.

A estimativa da Acate (Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia) é de que o setor registre faturamento de cerca de R$ 2,5 bilhões neste ano. Este desempenho destoa do que é previsto para o país. Enquanto a última previsão é que o PIB nacional caia 1,01% neste ano, o crescimento do setor de TIC no Estado deverá superar os 15%, segundo o presidente da Acate, Guilherme Bernard.

“Temos certeza que as empresas que vão se beneficiar do pós-crise são aquelas que procuram melhorar a produtividade e, de uma forma ou de outra, isso prevê investimentos em tecnologia”, avalia Bernard. Para o presidente da Acate, o ano de 2015, que está exigindo aprimoramento e ajustes das empresas, favorece o setor. “Quem investe em inovação e desempenho, investe em tecnologia”, sintetiza.

O “Mapeamento de TIC 2015? feito pelo Geração TEC, programa criado pela SDS (Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável) em 2011 para ajudar o setor a não sofrer um apagão de oferta de candidatos, aponta apenas uma parte das vagas que serão criadas pelo setor no Estado.

“Nossos cursos são para iniciantes, focados na demanda das empresas. Buscamos novos talentos para a área, pessoas que ainda não começaram no mercado de trabalho ou que trabalham em outros setores e ainda não tiveram oportunidade de qualificação”, comenta Jeritza de Souza, coordenadora do programa.

Salários entre R$ 2,5 mil e R$ 25 mil

Quem entra no setor de tecnologia deve estar preparado para aperfeiçoamento constante e qualificação em todas as fases da carreira. O resultado desta vocação e da carência por profissionais é o nível de salários que, segundo Bruno de Figueiredo, sócio da unidade do Paraná da Business Partners Consulting, responsável por acompanhar o mercado de trabalho na região Sul, começa em R$ 2,5 mil e pode chegar a R$ 25 mil em Santa Catarina.

“O grande gargalo deste setor é que a qualificação técnica esperada pelos contratantes é difícil de ser achada no mercado. Profissionais qualificados, que falam inglês e têm alguma experiência internacional, não sofrem com crise. Esses profissionais bem posicionados, mesmo agora, têm propostas astronômicas”, explica Figueiredo. Entre os perfis bem procurados, neste momento, estão os que fazem desenvolvimento e programação de softwares SEP e de outros sistemas que integrem todas as áreas de uma empresa.

De acordo com Figueiredo, o setor de TIC em Santa Catarina cresceu muito de 2008 para cá, atraindo profissionais de outras partes do país e estrangeiros, inflacionando o mercado, o que fez os salários valorizarem entre 25% e 35% no período. “As empresas investiram muito em expansão, e o suporte de tecnologia está ligado a este processo”, explica.

As cidades que lideram a geração de vagas do setor no Estado, Florianópolis e Joinville, pagam salários parecidos, segundo o sócio da consultoria. Para atrair profissionais de mercados como o de São Paulo, que pagam até 30% mais que em Santa Catarina, empresas do Estado oferecem postos melhores e que têm salário compatível com a função. “Um analista acaba sendo contratado como coordenador, ou um coordenador como gerente”, explica. Essa tendência é vista com maior frequência em Joinville e em outras cidades do Estado, que apresentam crescimento no setor de TIC, mas menos em Florianópolis.

Isso porque, segundo Figueiredo, a Capital é referência no país em oferecer uma boa formação na área. Guilherme Bernard, presidente da Acate, concorda que Florianópolis tem uma boa formação na área, mas cita casos como o de uma empresa de marketing digital da cidade que está registrando crescimento de 100% ao ano e que contrata cerca de 25 funcionários por mês. Neste nível de crescimento, um Estado como Santa Catarina, que liderou a geração de empregos no país na média dos setores em 2014, acaba mesmo tendo que contar com a vinda de profissionais de fora. “O que é algo bom, porque oxigena o mercado de trabalho daqui”, avalia Bernard.

Geração TEC cria curso favorecido por momento atual

Na avaliação do presidente da Acate, Guilherme Bernard, o programa Geração TEC está cumprindo o papel de despertar o interesse de profissionais de outros setores a buscar qualificação básica que lhes permita entrar no segmento TIC. Desde 2011, quando foi criado, e até o final de 2014, o Geração TEC formou 4.626 profissionais. Após o mapeamento de oportunidades para o setor em 2015, o programa abriu 150 vagas para Florianópolis e São Miguel do Oeste.

A novidade está com o projeto-piloto do curso Consultor Pré-Vendas, com vagas em Florianópolis. “Esta é uma área com grande expansão em momentos de crise, quando a pré-venda fica mais aquecida”, explica Jeritza de Souza, coordenadora do Geração TEC. No total, estão disponíveis 120 vagas na Capital para os cursos de Consultor Pré-Vendas, Java Script, Java Web e Suporte/Help Desk, e 30 vagas em São Miguel do Oeste para o curso de Programação Web em Linguagem Java. As inscrições para os cursos gratuitos podem ser feitas até o próximo dia 29.

A expectativa de Jeritza é que até o final do ano sejam oferecidos 20 cursos em dez regiões diferentes do Estado, envolvendo entre 20 e 30 alunos por turma. Além da baixa evasão dos estudantes, a coordenadora do Geração TEC destaca o índice de empregabilidade (quantidade de egressos que atuam no mercado de trabalho): 60% dos formados acabam atuando no setor TIC.

Mercado em crise ou não, há um déficit de profissionais nessa área

A HostGator, empresa norte-americana criada em 2002 com sede no Brasil, e matriz em Florianópolis desde 2008, começou com três funcionários e hoje tem 92. Porém, semestralmente, cria novas vagas. Há vagas em aberto e previsão da abertura de novos postos ao longo do ano. É uma empresa especializada em hospedagem de sites e trabalha diretamente com atendimento e suporte para empresas de pequeno e médio porte. A decisão de implantar a sede do país em Florianópolis foi justamente por ser um polo de tecnologia e com profissionais capacitados. Ainda assim, os gestores afirmam que faltam profissionais especializados no mercado.

O perfil que a empresa procura, além de capacidade técnica, é de pessoas que saibam e queiram lidar com o cliente, que se envolvam. Como grande parte da equipe trabalha com suporte e atendimento, o gerente de RH da HostGator, Cláudio Pedroso, diz que brinca com os funcionários fazendo um comparativo ao explicar a função: “Devem ser como amigos nerds que ajudam a resolver o problema”, brinca. Ele conta que o Geração TEC ajuda justamente nessa capacitação além dos conhecimentos de tecnologia, com o atendimento ao cliente.

Os salários variam, mas um assistente de suporte inicial começa ganhando, em média, R$1.300, mais benefícios e, dependendo do cargo que conquistar, qualificação e especialidade técnica que adquirir ao longo do tempo, o salário pode chegar entre R$ 6.000 e R$ 7.000. Mas Pedroso garante que não há um teto. Tudo depende do quanto o funcionário tem interesse em se especializar e crescer na empresa. Dos 40 funcionários que tem no suporte inicial, mais de dez vieram do Geração TEC. “Por ser um nicho bastante específico, ainda não há tantos profissionais capacitados e é relativamente difícil preencher as vagas. A crise afeta a todos, mas estar na internet hoje é obrigação. Qualquer negócio, por menor que seja, precisa desse meio de comunicação, da presença on-line. Por isso, temos tanta vagas e o mercado está em crescimento” afirma.

Weliton de Resende, 18, está há quatro meses na HostGator e não teve dificuldade para conseguir trabalho. Ele conta que pôde escolher a empresa que achou melhor para trabalhar porque tinha oferta de pelo menos três empregos. Ele é de Chapecó, mudou-se para Florianópolis em 2010 e diz que desde os 13 anos já se interessava pela área. Começou fazendo cursos do Geração TEC e hoje, paralelo ao trabalho, cursa Sistemas de Informação. Ele conta que, se tivesse que pagar pelos cursos que fez, com a mesma qualidade e professores, gastaria, no mínimo, R$ 5.000, dinheiro que ele não dispunha e, por isso, talvez nem estivesse trabalhando. “O mercado em crise ou não, há um déficit desses profissionais. Meu pai é pedreiro e vi ele ficar sem emprego por causa da crise. Nesse setor, falta gente especializada e o mercado cresce cada vez mais. Se eu continuar me especializando sempre vai ter emprego. É promissor”, afirma. (Letícia Mathias)

TI vai gerar 383 empregos em Joinville em um ano

A joinvilense Conta Azul, líder nacional em software de gestão para micro e pequenas empresas, quadruplicou o seu time de funcionários no ano passado. A equipe, que tinha 30 pessoas no início de 2014, hoje tem 120 profissionais trabalhando em Joinville e a tendência é que essa família aumente ainda mais. Segundo o CEO da Conta Azul, Vinícius Roveda, a empresa planeja contratar mais 70 pessoas neste ano.

As principais demandas são por profissionais nas áreas de marketing analítico, produto e engenharia de software. Estas carências foram apontadas pela empresa na pesquisa realizada pelo programa Geração TEC, que serve como uma base para oferecer cursos de acordo com as necessidades do mercado local. “A previsão é que 40 destas novas vagas sejam supridas por pessoal que vai cursar o programa”, estima Roveda.

Além da Conta Azul, empresas de tecnologia da informação estão crescendo e demandando mais profissionais em Joinville. Conforme o Mapeamento de TIC 2015, realizado pelo Geração TEC no primeiro trimestre deste ano, o setor deve criar mais 225 vagas de trabalho nos próximos 12 meses, além das 88 que estão abertas – a maioria delas para desenvolvedor e engenheiro de software.

As companhias têm dificuldades para encontrar trabalhadores qualificados na área. Conforme a coordenadora operacional do programa, Jeritza de Souza, o problema tem raiz no desconhecimento do setor por parte dos jovens e estudantes. Os cursos oferecidos pelo Geração TEC são uma forma de suprir as necessidades das empresas de TI por mão de obra para que elas não tenham que buscar o profissional em outras cidades.

A equipe da Conta Azul é um exemplo que mostra como Joinville tem condições de suprir a demanda por trabalhadores em TI. “Quando iniciamos a empresa, havia uma pressão para nos mudarmos para São Paulo, também em razão da mão de obra. Mas decidimos ficar porque a cidade possui profissionais qualificados, tem ótimas universidades e já tem uma cultura de desenvolvimento de softwares. Por isso, são poucos os profissionais que temos que contratar de outros Estados”, conta Roveda.

De acordo com o gerente executivo da Fundação Softville, Ademir Rossi, em Joinville existem 1.400 empresas de informática que atendem não somente a região, mas o Brasil e algumas atuam até em outros países. “Este número tende a crescer. O desenvolvimento tecnológico de uma região exige inovação e ela vem alinhada com o desenvolvimento de softwares. Cada vez mais teremos soluções embarcadas em produtos ou em softwares. A demanda por profissionais de informática deve aumentar e a formação de pessoas nesta área tem que acompanhar esse ritmo”, observa Rossi.

Nos próximos 15 dias, o Geração TEC vai abrir processos seletivos em Joinville para os cursos de Programação Java e Suporte/Help Desk. Conforme Jertiza, serão 60 vagas disponíveis. A inscrição deve ser feita por meio do site do programa. (Isabella Mayer de Moura)

 

Notícias do dia – 09/04/2015
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